Estou absolutamente abismada com o que se tem passado ultimamente. Se por um lado temos um Ministério da Educação a tomar medidas não só absurdas como injustas, temos aqueles que delas discordam a agir de uma maneira extremamente low profile, na maior parte das vezes sem argumentos coerentes.
Este regime de faltas, por exemplo, também a mim me afecta, já que as unicas faltas que dei estão justificadas mas continuam a contar para que faça um exame ao ultrapassar o limite (ainda que, sendo elas justificadas o exame seja "mais fácil", segundo a minha D.T) e não sendo eu, de todo, aquele estéreoptipo de aluno balda que não quer saber da escola, das notas e desde que tenha um 10, safa, irrita-me profundamente que, no meio de jovens que se justifiquem com a história das doenças e das faltas justificadas, idas ao médico necesárias, etc, que eu bem percebo, haja miúdas que vêm dizer que "ahh, este regime é muita mau, porqueee... assim, nao nos podemos baldar". Isto é estar estar a rolutar a população estudantil portuguesa , nao só de "baldas" como de "atrasados mentais". Não admira que depois se ponha tudo com "esta geracão está perdida.."
E aquelas manifestações? Eu vi uma reportagem na RTP onde mostravam uma manif de alunos em que se ouvia o seguinte "E QUEM NÃO SALTA, NÃO É DA MALTA". Na minha opinião, enquanto os manifestantes não saírem à rua com argumentos bem estruturados, com soluções pensadas e não com o estpírito de "Epaaa que fixe.... isto 'tá tudo bué de mal... vou para ali gritar um bocadinho, aparecer na televisão.... e ja agora baldo-me às aulas!", não são levados a sério.
Já quase ninguém respeita a Ministra, é verdade, mas aquelas pessoas que fizeram parte destas últimas manifestações nas escolas, sim sim.. aqueles que atiraram ovos à ministra e se puseram aos berros, nao merecem de todo o meu respeito. Acho incrível como é que alguém, como é que pais, encarregados de educação e professores possam até apoiar estas atitudes tão primitivas. Mas a verdade é que apoiam, e estão lá a frente e gritam, e saltam, e são da malta.
NÃO É COM OVOS QUE VOCÊS VÃO ENCONTRAR MUDANÇAS. Acreditem. O que vale é que eu tenho esperança na minha geração, juro que tenho. Odeio aquelas pessoas que nos desacreditam, que nos colocam todos no mesmo saco, porque não é assim, e eu tenho feito o melhor que posso para nao o ser. Mas gente.. nao me estão a ajudar.
As pessoas estão frustradas, é verdade, mas há que ser mais forte que isso, há que ser-se superior, e falo agora para os professores. Todo este processo tem afectado aqueles que tem como função ensinar-nos, percebo perfeitamente. Mas há que se ser racional. E antes de mais, não se pode ser derrotista. O facto de um professor ir para uma aula, cabisbaixo, a queixar-se de tudo, da situação, do ensino, da escola, dos alunos, da dor de costas e do lugar que não encontrou para arrumar o carro... toda essa postura vai também afectar os alunos. Mesmo aqueles que "pouco se importam" sentem bem a diferença do que é uma aula dada por uma professora que continua a dar o seu melhor e tentar com que as aulas correm bem e que sejam dinâmicas, e o que são aulas dadas por professoras que parece que cada palavra que dizem é um sacrifício medonho, que suspiram a cada 5 minutos e que pura e simplesmente desistiram.
Após este grande desabafo, quero que, antes de mais, fiquei claro que eu não sou de todo, contra as manifestações, as greves e apoio a 300% a luta pelos direitos que nos são devidos. Mas que esta seja feita de um modo fundamentado, onde seja possível o diálogo e que, mesmo que a outra parte se comporte de uma maneira indevida e irracional, que também está a acontecer, pelo menos este lado mantenha toda a dignidade.
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