quarta-feira, abril 22, 2009

Rebeldes COM Causa

Lembram-se da expressão que ficou do “Rebel without a cause”/ Rebelde sem causa? Quantos “rebeldes” há por ai, só por ser, descontentes com tudo, agressivos mas que no fundo não lutam por nada? “Rebeldes” que destroem em vez de tentar construir. Às vezes também é preciso destruir, é verdade, mas é um "destruir", com um motivo, uma causa associada, uma razão, para depois se conseguir reconstruir algo diferente.

Tantas causas, tão poucos rebeldes.

Há que pegar no que queremos ver corrigido e lutar por isso. Há tantas causas, há mesmo, e tanta falta de apoio!
Precisamos de rebeldes, mas rebeldes a sério, que se oponham aquilo que sentem ser errado, que queiram mudança, que queiram construir algo melhor, para todos.
Não falo na típica imagem de rebelde que se faz passar hoje em dia, ou em juntar-se obrigatoriamente a grandes associações mundiais, a contradizer tudo e todos. Falo sim em agir. Em acções simples, em seguir-se o que se acredita. Se achas que as pessoas são mal-educadas umas para as outras, trata tu de nunca baixar o nível. As pessoas sentem-se mal quando não conseguem tirar os outros do sério e quem ganha com os comportamentos "correctos" somos todos. Mesmo eles sentirão diferença.
Se estás com amigos, e numa conversa, tens uma opinião diferente, não te imponhas, porque há muitas opiniões que, apesar de diferentes das tuas, também têm de ser respeitadas, mas faz-te ouvir, faz com que a tua opinião seja ouvida.
Temos uma diversidade enorme de pessoas no mundo, porque é que só parte delas há-de ter valor? A diferença tem muito para nos ensinar.
Se achas que a música que passa nos principais meios de comunicação não traz nada de novo, não tem mensagem, atreve-te a ir a concertos mais pequenos, a descobrir o underground do nosso país, a ouvir o que tantas boas bandas portuguesas têm a dizer. Apoia o que é teu, o que é nosso.

Não te conformes com certezas que não o são. Não pares de aprender, de descobrir. Sem educação, sem aprenderes, muito mais facilmente te enganam. Por outro lado, não rejeites tudo de rajada. Aprende a ouvir e, mais importante, a pensar pela tua cabeça.

Também tu te queixas do nosso país? Descobre que aqui também há muito que valha a pena. Começa a fazer parte do motivo pelo qual te orgulhas. Olha também à volta. Vivo em Lisboa e, já tendo conhecido outras cidades da Europa digo, com toda a certeza que esta é das cidades mais bonitas que já vi. Tenho pena de não conhecer melhor o meu país, mas é um dos objectivos que tenho em mente, quero saber o que temos cá dentro. Temos uma potencialidade fantástica, falta aproveitá-la. Não está só e apenas nas nossas mãos, é certo, mas somos pecinhas que juntas, fazem diferença. Um, mais um, mais um, mais eu, mais tu.

Não deixes que o pessoal que diz que “esta geração está perdida” tenha razão. Não lhes quero dar razão, de modo algum. Infelizmente não sei se esta etiqueta que nos põe é feita pela maioria ou pela excepção, mas o que é bom é sempre desvalorizado. Parece o telejornal da TVI com notícias sensacionalistas.

Faz. Cria. Vai. Vê. Pensa. Conhece. Apoia. Luta. Mas, como cantam os Pee-Jamma, Luta com as Palavras e Não com os Punhos. Age.

Sê um rebelde com uma causa. E não te deixes iludir por modas, por preconceitos. Não precisas de casacos de cabedal, calças rasgadas, cristas, correntes ou quaisquer outros acessórios para seres um rebelde.
Bastas tu os teus ideiais, a tua vontade e a tua acção.

Mas, muito importante: Não desistas. E mesmo quando achas que já fizeste o suficiente, não pares! Há sempre muito mais a ser feito!

2 comentários:

sigilosamenteliteraria disse...

Tu a presidente! Já!
Depois, concordo exactamente com tudo.
Acho que actualmente há bué aquela cena do "eu sou assim porque se fosse diferente não tinha este ou aquele amigo", uma necessidade enorme de X se identificar com Y, consoantes os gostos e tudo mais. É uma parvoíce.
A única coisa que é preciso haver em comum é: pensar. Depois se temos opiniões diferentes, gostos diferentes, formas de vestir diferentes, é cagativo.
E deve ser assim sempre e com toda a gente (ponto de parte as identificações pessoas e coiso).

ReAct disse...

Gostei particularmente deste post. Como Mark Achbar diz 'Só porque não podemos mudar tudo, não significa que não façamos nada' e penso que este espirito é o que traduz o que nós somos. Não vou acrescentar palavrasde motivação porque acho que já estão todas neste post.Estives-te muito bem e gostava mesmo que continuass com este espirírito rebelde  de mudança. Disses-te uma grande verdade quando afirmas que nós no geral, criticamos muito, mas na verdade nem sabemos o que criticamos, nem tentamos criar alternativa. E o que nós jovensportugueses precisamos é de saber criar alternativa. Pois nós seremos o futuro de portugal aqui a uns anos.

Outra verdade é que a difereça não é má,, ao contrario do que nós pnsamos. Pensar diferente tem de ser utilizado como um ponto positivo e é ela que cria dinamica e dialectica. É através da diferença que as instituições politicas funcionam por exemplo. Sem diferença viviamos num mundo quase ditatorial e sem brilho nenhum. A questão está ai, está em sabrmos levar a verdade e a melhor alternatva através da argumentação e dos factos e não da violência. Excepto quando ela é mesmo necessária.

O que me resta acrescentar é que todos nós sigamos o concelho da barbara. Vamos questionar todas as verdades. Vamonos questionar a nós próprios e aqueles que nos dirigem. Vamos questionar tudo e acima de tudo pensar por nós proprios. Não aceitem tudo como garantido.

A verdade é que portugal precisa de rebeldes com causa no sentido de que este post nos fala. Não daqueles que dizem uma coisa e dois dias depois estão com o mesmo comportamento conformista e contrário. Mas daqueles rebeldes que estão determinados em fazer mudança.

Acredito que estamos no inicio de uma coisa muito boa. Esperemo para ver esta geração madurecer. Ai tiremos conclusões. Por agora está nas nossas mãos consciencializar.


Hugo Azevedo
ReAct Movement