terça-feira, junho 16, 2009

Arriscar (n)o Futuro

Tenho 17 anos e não faço a mais leve ideia onde estou.

De repente surgem-me oportunidades, pessoas, experiências, mundos que há um ano atrás apenas sonhava, ou mal conhecia. Para dizer a verdade, a minha vida deu mesmo uma grande reviravolta nos últimos tempos, reviravolta essa que me tirou de um mundo onde me sentia infeliz para outro onde me sinto bem e vejo que não sou a única a querer fazer alguma diferença. A sociedade é a mesma, é um facto, mas a gente à minha volta é outra, o que é bom. Quero mantê-lo, sabendo viver aqui.

Mas, por outro lado, assusta-me a efemeridade das coisas. Tenho tido imensas experiências dessas. Não é uma questão de morte física, mas de pouca durabilidade das coisas, das relações entre as pessoas, da confiança, dos percursos. E depois, o que é que resta? O que é que nos prende? Eu quero acreditar que são os ideais, a luta, a vontade, mas isso não basta, se estivermos sozinhos. Precisamos de gente ao nosso lado, para nós, e nós por eles. São compromissos, são laços. É uma responsabilidade que é boa.

Talvez tenha mentido. Tenho quase 18 anos e tenho uma ideia onde estou. Mas há um certo nevoeiro... Nem tudo é claro. É normal, dizem. Será sempre assim ao longo da vida, não sabemos o futuro, há sempre momentos nublados. Tal traduz-se na necessidade de arriscar, de fazer escolhas, mas arriscar pode implicar perder e perder assusta-me. Já tive boas surpresas e uma das melhores coisas é mesmo o surgir de novas oportunidades do nada, o conhecer novas pessoas porque se foi a novos sítios e se quis arriscar a novas aventuras. Mas também já tirei muitas lições de outras situações, de apostas que fiz que correram mal. Não me arrependo, aprendo. Faz parte do processo de crescimento, mas não nego que me assusta. Relaciona-se por um lado, com a questão da efemeridade. Quando se aposta em algo quer-se que corra bem. Quando apostamos numa pessoa, pensamos no longo prazo. Queremos amigos “para sempre”, um namorado que nos acompanhe o resto da vida, dizemos defender ideais “até morrer”. Até que... acaba. O que antes dizíamos ser para sempre passa a ser ridículo. As pessoas separam-se, desiludem-nos, “não dá”, seguem caminhos diferentes, aprendemos, mudamos de ideias, desistimos. Desistir não quero. Quero tatuar isso no coração. Quanto ao resto, o facto é que nem tudo depende de nós. A verdade é que quando nos relacionamos uns com os outros as consequências partem de várias escolhas de várias pessoas. Não somos omnipotentes. Não estamos a jogar aos Sims e nem mesmo esses nos obedecem.

Acho que não sei ainda a resposta para este problema. Resta-me continuar a arriscar. Sei onde tem corrido bem, vou apostar em perceber melhor o que se passa onde tem corrido mal.

Sou a Bárbara e sei onde gostava de ir. Espero fazer as escolhas certas e manter bem as que já fiz. Gostava de tomar chazinho, já velhota, com amigos que conheci ainda nova, ter ainda conversa, histórias para contar. Quero orgulhar-me do que defendo. Quero partilhar com quem não desperdice esse oportunidade. Quero não desperdiçar oportunidades de me sentir feliz.

Ainda me assusta não saber. Mas terei de aprender a viver com isso.

Sem comentários: