Ontem foi dia de greve geral em Portugal. A primeira após vinte e tal anos, ainda nem era nascida. Se isto acontece é porque o estado das coisas não é, de todo, o melhor e foi esta a maneira que trabalhadores, desempregados, estudantes e todos os descontentes encontraram para fazer sentir o seu descontentamento. Temos um OE como assunto do dia, todos os dias, que nos faz questionar o futuro. Há cada vez mais trabalhadores precários - jovens e menos jovens, corta-se dinheiro onde realmente faz falta, justificando com argumentos que a poucos convencem. Onde é que vamos parar, afinal? Austeridade.. tudo bem, se for realmente preciso. Mas tem de ser para todos, não é para se tirar a quem já pouco tem e manter os milhares e milhões que estão no banco de uns quantos.
De qualquer forma, tenta cobrir-se isto com falsos números e coerção. Uma greve onde, de um lado se diz que teve cerca de 80% de adesão, o Governo reduz para uns ridículos 20%. Para pintar um quadro mais bonito, para estrangeiro ver? A sério... se é por se aumentar os juros da divida público, como dizia a outra ontem, quase aos berros, os próprios ministros descaem-se todos lá fora, por isso... falam paternalmente, aconselhando a ir trabalhar na mesma, "vejam lá a imagem que se passa", pensa-se no dinheiro, só no dinheiro, o que não se vai produzir, o que não se vai ganhar. (o que não se vai pagar aqueles que fizeram greve nesse dia? Ainda são uns trocos, por falar em poupança)
Enfim, que estas análises assim de repente, não são a minha área mas de qualquer forma, a falta de coerência que anda neste país espicaça-me o sarcasmo.
Depois, gente louca atropela piquetes de greve, a polícia anda para aí sem identificação a querer identificar civis com mais ou menos culpa, gás pimenta em velhotas, pessoas mesquinhas e com palas nos olhos que se contradizem radicalmente. Irrita-me e assusta-me ao mesmo tempo. É com este tipo de pessoas que vamos ter de viver, com quem iremos trabalhar, que põe a trabalhar para a nossa "segurança". Mesmo que seja uma grande minoria (!!) e eu não gosto de generalizar. Mas tenho pena, medo e raiva, relativamente ao impacto que essa gente tem na sociedade.
"Façam revoluções ao domingo, e não fechem a porta principal, fechem a garagem." Isto dito por alguém que dá aulas numa faculdade de Ciencias Humanas. Alguém que deveria ter noção da importância e até do funcionamento dos movimentos sociais, das iniciativas estudantis, etc. Gente que "apoia a causa" mas que "não lhe apetece entrar por outra porta senão a que entra todos os dias". Porque afinal os jovens são uns terroristas. Porque manifestação sem coerção é criar um "regime de terror". São estas pessoas que, provavelmente amaldiçoam a vida todos os dias e dizem que alguém devia fazer alguma coisa. São estas pessoas, frustradas, que nos irão avaliar nas escolas. Mas são pessoas que não param, de facto, para pensar e consequentemente, agir. Conformam-se com as suas vidas rotineiras, mesquinhas. E por isso, sim, façam as coisas ao domingo, que não me muda a rotina, não chateia muito. E mesmo assim, só se o Benfica não jogar. Tem de ser, não é?
Não, não é.
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