"Cultura Clássica é o conjunto dos géneros estabelecidos: o livro, o cinema, o teatro, as exposições. Assiste-se progressivamente à substituição destes domínios instalados pelas tradições e pelas escolas por uma outro forma de cultura, particularmente apreciada pelos jovens e, claro, por eles veiculada, e que é constituída pelo vídeo, pelas magias informáticas, pelos novos modos de comunicar ou de ouvir música ou por essas mesmas músicas, o rap ou o techno."
Bernard Pivot, cit. in José Afonso Furtado, Os Livros e as
Leituras - Novas Ecologias da Informação, Lisboa, Livros e Leituras 2003
Leituras - Novas Ecologias da Informação, Lisboa, Livros e Leituras 2003
Eis então o meu texto:
Principalmente nos últimos 50/60 anos, a maneira como a cultura é vivida tem vindo a modificar-se de uma maneira nunca antes vista até então, essencialmente nas camadas mais jovens. Não só a cultura passou a ser acessível a todos ou, pelo menos, passou a haver uma maior facilidade de acesso, como também a possibilidade de escolha aumentou, adequando-se a uma maior variedade de gostos e preferências.
Se dantes a cultura era "criada" apenas por uns quantos homens e para a mesma quantidade deles, hoje em dia a cultura é de todos para todos - todos os que a quiserem e dela souberem tirar partido: posso escrever um texto e divulgá-lo na internet para todo o mundo ler; tenho amigos que fazem valer os seus ideais através da música; há quem faça valer os seus dotes artísticos atraves de videos, entre tantos outros exemplos. E, para isso em muito as novas tecnologias nos ajudam.
Não concordo, ou não quero acreditar, no entanto, que esteja a haver uma tão grande substituição da cultura clássica pela "nova cultura". Na verdade, penso que continuam a coexistir e, de certa forma, a complementar-se: mesmo com a possíbilidade de aceder diariamente à internet, à cultura rápida, não dispenso um bom livro - nunca o trocando pelo seu formato digital - uma peça de teatro, uma exposição e muito menos um concerto. Do mesmo modo, posso ter conhecimento destes eventos através de meios não tão clássicos.
Sei, no entanto, que muitas vezes a minha realidade não é a geral e, se esta substituíção se está a dar pela minha geração, é de lamentar. Deviamos aproveitar o nosso domínio nesta nova forma de cultura, que tanto agradeço que exista e associá-la à cultura clássica que tanta importância tem e que, apesar de muitas vezes não ser "nova", muita actualidade continua a ter. Assim, seriamos capazes de a tornar mais apelativa, fazê-la chegar a mais gente e, deste modo, não deixar que a ignorância se expanda.
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